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Thursday, April 29, 2010

A volta do debate do "tamanho zero"

Acho que todo mundo se lembra do grande debate do "size zero" de alguns anos atrás. Não sei se ele repercutiu muito no Brasil, mas por aqui foi algo que ficou por semanas em noticiários e jornais.

Pra quem não se lembra, uma breve palavra pra refrescar a memória: no final de 2006 começou a surgir com muita força o assunto da magreza das modelos nos desfiles de moda. Também não colaboraram as mortes de diversas modelos no mesmo período por causa de casos extremos de anorexia e/ou bulimia. O nome "size zero" veio do tamanho norte-americano de roupas que, depois de chegar ao tamanho número 2 (ele corre em números pares), não havia mais para onde ir e acabou virando o "tamanho zero". A ironia é que zero é algo que não existe, assim como o tamanho das modelos.


uma modelo tamanho zero e uma tamanho 14, lado a lado (medidas norte-americanas)


As medidas de uma pessoa que veste um tamanho zero são 31-22-32 polegadas, o equivalente a 79cm de busto, 56cm de cintura e 81cm de quadril. Uma criança de oito anos e tamanho normal e peso normal também tem 56cm de cintura e um pouco menos de quadril (dada sua forma mais andrógina por ainda não ter desenvolvido seu corpo). Em termos comparativos, o tamanho zero norte-americano "normalmente" equivale ao tamanho 4 do Reino Unido e ao 32 europeu - e brasileiro também. "Normalmente" entre aspas porque, hoje em dia, as variações nas medidas das peças de roupa vendidas pelas marcas dentro de um mesmo país são tão grandes que é impossível saber ao certo.


e o pior é que isso não é Photoshop...


Com a discussão, o conselho da semana de moda de Madrid proibiu a contratação de modelos com IMC menor que 18.5 e, em seguida, o conselho da semana de moda de Milão seguiu o mesmo caminho. Londres não proibiu, mas aconselhou severamente que modelos demasiadamente magras não fossem contratadas para desfilar. E isso tudo foi há mais de três anos atrás.

Mais recentemente - finais de 2009 - aconteceram os escândalos do Photoshop, onde Demi Moore aparentemente foi "montada" em cima do corpo da modelo Anja Rubik e Ralph Lauren despediu a modelo Filippa Hamilton por ser "muito gorda", além de ter "photoshoppado" a moça para sua campanha num nível extremamente distorcido. Apesar de ambos os eventos terem acontecido nos Estados Unidos, a discussão abalou mais o mundo da moda internacional que a opinião pública local.




Demi superposta em Anja Rubik - mera semelhança ou transplante de cabeça?
mais acima: Filippa Hamilton em desfile e na campanha da Ralph Lauren


Na London Fashion Week de outono/ínverno 2010-11 o designer Mark Fast ousou ao colocar modelos "plus-sized" na passarela, especialmente porque seus desenhos são extremamente colados ao corpo e bem reveladores. E, cá entre nós, as "plus-sized" são modelos que vestem tamanho 40/42 brasileiro e tem 1.80m - só pra manter a perspectiva...


modelos "plus-sized" no desfile de Mark Fast de primavera/verão 2010, 
onde ele usou pela primeira vez modelos fora dos padrões da indústria


Juntamente com Fast, a V Magazine de janeiro fez a "size issue", onde um editorial com Crystal Renn - a modelo "gordinha" mais famosa do mercado atual - aparece ao lado de Jaquelyn Jablonski, uma das modelos mais magras (e requisitadas) do momento. Nas fotos clicadas por Terry Richardson, Renn e Jablonski vestem as mesmas roupas e fazem as mesmas poses, mostrando que a beleza pode existir em diversos formatos e tamanhos. O que importa mesmo é o tamanho da carteira para poder comprar todas as roupas... hehehe.






A semelhança entre as duas modelos é impressionante - ponto para a V ao escolhê-las. Mostra mais ainda como a diferença está mesmo no corpo (e também como é fácil fazer um Photoshop se o designer for bom...). Só pra ter uma idéia, Jablonski é tamanho 2 norte-americano (o 34 brasileiro) e Renn veste tamanho 10 (equivalente ao 42 brasileiro) e ambas medem 1.75m.






E agora, depois de tudo isso, parece que a discussão de padrões de beleza extremamente magros voltou com toda força essa semana. No final da semana passada a famosa blogueira francesa Garance Doré disse que muitos dos show que colocam modelos "plus-sized" tampouco deveriam existir, já que as modelos "não são saudáveis" e são colocadas "somente para chocar".  E essa semana saiu a Vogue France de maio, guest edited pela Penelope Cruz e com um editorial de moda também com Crystal Renn. Nela, Renn aparece apenas com um trench coat vermelho aberto, mostrando todas suas partes íntimas ao público. Indo na direção do vento que sopra, o português Francisco Costa, diretor criativo da Calvin Klein, aparentemente disse que não usará mais modelos de tamanho zero em seus desfiles.


anúncio da marca francesa Colette alterado em Photoshop, contra as modelos anoréxicas


Em meio a isso tudo, algo inesperado reacende de vez o debate sobre as modelos "plus-sized" e as "magras demais": a Lane Bryant, famosa marca de roupas e lingerie para "gordinhas" norte-americana, acusa a FOX e a ABC de não veicularem um comercial de lingerie seu alegando que ele mostra um "decote demasiado". O anúncio seria veiculado em comerciais nos programas American Idol e Dancing with the Stars, respectivamente.





O interessante nisso tudo é que ambas as emissoras veicularam, no mesmo dia, um comercial da Victoria's Secret, onde diversas modelos desfilam em lingeries sensuais.





Escrevi isso tudo para eu dizer: será que precisa de todo esse alvoroço SEMPRE? A Lane Bryant é uma marca para gordinhas, logo sua modelo tem que ser maior e, obviamente, ter um busto mais avantajado.

E mais: não seria tão mais fácil que modelos magras mas não anoréxicas fossem utilizadas? Quem já viu Gisele Bundchen ao vivo sabe muito bem que de "curvas" ela não tem nada. A menina é um vara-pau gigante. A justificativa para utilizar as modelos magras é até boa... Infelizmente elas aparecem melhor nas fotos, o trabalho de maquiadores, figurinistas e fotógrafos é reduzido à metade e as roupas caem melhor nelas, já que não existem "pochetinhas" sobrando pra nenhum lado, nem que elas façam muita força e se contorçam todas. E, mesmo assim, Gisele é considerada uma modelo "com curvas", que não serve para passarelas, a não ser que ela vá de biquini ou com quase tudo à mostra. Gisele hoje em dia de calça e casaco, nem pensar!


gisele sem luz nem maquiagem - 
magrinha pero no mucho para a indústria da moda


O pessoal do mundo da moda poderia realmente começar a dar uma mãozinha para mudar as coisas. Sim, o trabalho é mais fácil se a modelo for tão larga quanto um Deditos, mas será que vale a pena? Pra mim é querer fazer prova já sabendo as respostas de antemão ou jogar um videogame já tendo visto na internet as dicas pra se chegar ao final. Stylists não tem que pensar no que fica melhor no corpo da modelo, o fotógrafo não tem que pensar no jogo de luz, o maquiador não tem que gastar produto no corpo inteiro e esconder pequenas falhas, os editores não precisam ver tantas fotos para escolher as melhores, os designers gráficos não precisam "photoshopar" tanto. E, principalmente, os designers podem criar o que bem entenderem, porque qualquer coisa pode ser colocada num cabo de vassoura e parecer legal. Não tem emoção nem desafio. É pim, pam, pum, acabou.








todo trabalho que existe por detrás das câmeras de um editorial -
ou de um desfile de moda (na primeira foto)


O corte de gastos pode ser enorme, mas a graça também é cortada. Sei lá, eu gostaria de trabalhar com desafios sempre. Tentar me superar. Vestir alguém de 1.80m, 55 quilos e proporcionalmente "ergonômica" é fácil. Quero ver é fazer uma mulher de 1.65m com 55 quilos e alguns "errinhos de fábrica" se transformar numa diva super sexy só com uma mera troca de roupa. Isso sim que é moda pra mim. O "empowerment" através das roupas, mudar a vida de alguém só por causa de um vestido seu. Fazer com que mulheres se sintam cada vez piores é um desserviço não só à moda, mas à sociedade.



"plus-sized" ou somente normais?
modelos e mulheres convidadas a participar do editorial da Glamour US de agosto de 2009

Tuesday, April 6, 2010

tendência: capas!

A gente nem conseguiu falar muito sobre as semanas de moda de outono/inverno, mas ficamos de olho nas tendências e já podemos falar sobre o que pode influenciar o inverno de 2011 no Brasil. E uma das coisas que notamos foi a presença de capas em quase todos os desfiles. Pois é, meus amigos, capas. E agora? O que fazer com essa informação?

Pois bem, aqui damos diversos looks das passarelas pra vocês verem que talvez capas não sejam tão super herói e até podem ser bem chiques!




Definitivamente inverno não é inverno sem preto. E, sem falhar à regra, vimos muito preto pelas passarelas, trazendo uma tendência "goth-chic". A inspiração é menos Courtney Love e mais Eva Green. Um gótico sexy  e exuberante, em contraste ao gótico rocker que vimos em coleções passadas. Opções de capas em silhuetas curtas e longas, com destaque para YSL e PPQ.




A influência dos anos 90 já iniciada nas coleções desse ano se apresentam cada vez mais e o uso de marrons é uma destas grandes influências. Não se via marrom nas coleções há uns bons 4 anos mas, com a volta do casaco cor de camelo nos desfiles de outono/inverno 2009-10, seria ingenuidade pensar que a duração dos tons de marrom só duraria uma temporada. Os tecidos que levam os tons de marrom são extremamente exuberantes, dando às peças um look rico e chique. Destaque para Hussein Chalayan, Mark Fast e Cynthia Steffe.




O cinza já havia virado o "novo preto" há algumas temporadas e não o vemos sumir em 2010-11. Muito pelo contrário, o uso do cinza é cada vez mais generalizado, indo do cinza claro, passando pelo mescla e chegando ao grafite. Assim como o marrom, o uso do cinza predominou em roupas chiques e com acabamento luxuoso. As capas em cinza apareceram em diversos estilos, desde os mais tradicionais aos mais inovadores, como a de plástico de Yves Saint Laurent e a de couro de L'Wren Scott.





Não faltaram cores nas passarelas de outono-inverno; apesar da predominância das cores escuras, as cores vibrantes acharam seu lugar, quase sempre combinadas com tons de preto e cinza. E, como as capas foram presença forte, tiveram também seu espaço na gama colorida. Destaque para as capas de Mark Fast e Cerruti.




O tema luxo foi super presente em quase todas semanas de moda. Aparentemente estamos migrando do look rocker para um look mais crescido, mais feminino "adulto". E, neste caso, as capas mais exuberantes vieram da passarela de Alexander McQueen. Seu último desfile foi uma homenagem a realeza. E, claro, não poderiam faltar capas. Céline e PPQ também não deixaram por menos e criaram modelos super ricos.




Vemos já nesta primavera-verão que começa aqui no hemisfério norte uma releitura dos anos 70 e, com isso, vemos uma influência do movimento hippie. As capas estampadas são um ótimo exemplo disto. Com uma cara mais de poncho, vimos capas em tecidos listrados, florais e com diversas combinações de cores. Na maioria das vezes, as capas eram utilizadas para contrastar com as peças de roupa que vinham por debaixo das mesmas. Destaque para o desfile da Kenzo, que usou e abusou desta idéia.




E como será que isso pode ser utilizado no Brasil? Minha sugestão: capeletes. Não é a massa, e sim a versão pequenininha da capa, em inglês. As mini-capas dão um charme super legal às roupas, esquentam o suficiente para o inverno brasileiro e colocam você num status de fashionista e com guarda-roupa de vanguarda.

Sei que é difícil esse tipo de moda pegar no Brasil mas como as capas estão cada vez mais disseminadas nas passarelas de inverno, será que dessa vez elas aparecem por aí? Veremos!

Thursday, March 18, 2010

newsroll! (2)

Mais um dia, mais um newsroll pra vocês.

- Kaiser Karl criará uma mini-coleção de sapatos para a marca italiana Hogan. A intenção dessa colaboração é a expansão e aumento da visibilidade da marca. A Hogan faz parte do grupo Tod's e seu presidente e fundador, Diego Della Valle, não poupou elogios à Karl no anúncio oficial de sua colaboração ontem;

a Maison Martin Margiela terá uma exibição comemorativa de seus 20 anos na Somerset House em Londres. A exibição terá instalações, fotografias e vídeos para mostrar aos visitantes como é o approach de Margiela na criação de suas peças. Ela estará na Somerset House de junho a setembro de 2010;

- Celebridades raramente são fotografadas com a mesma roupa... pra onde será que vai tanta roupa novinha? a reposta está na DecadesTwo, loja que vende as roupas das celebs a preços até 90% abaixo do valor original. Ela é irmã da Decades, loja vintage Californiana super famosa, e ambas lojas têm o propósito de "caçar, coletar e reciclar" moda. A DecadesTwo também fica na Califórnia, mas fará sua anual pop-up store em New York por apenas 4 dias, começando hoje! Se está por NY, corra pra Kiki de Montparnasse, onde a DecadesTwo se instalou.

- o British Fashion Council levará para New York nomes ainda desconhecidos no circuito da moda internacional para seu London Show Rooms. A intenção é que esses designers tenham chance de maior exposição no mercado internacional, com três dias para expor suas peças e atender à midia. Entre os escolhidos estão Mark Fast, Peter Pilotto, Louise Gray e Hannah Marshall. Semana passada o London Show Rooms passou por Paris;

- Liam Gallagher, um dos irmãos que fundou a banda Oasis (e super famoso pelas brigas com seu irmão), adicionará uma linha feminina à sua coleção de roupas Pretty Green. A marca foi lançada no meio do ano passado e a intenção era de só ter roupas masculinas. Como a Pretty Green fez sucesso (chegando até a ser vendida na prestigiosa Selfridges), Liam apostará nesta nova empreitada. Aparentemente a cisão do Oasis fez bem ao músico...;

-  Sir Paul Smith ataca os banqueiros na GQ Style desse mês. Mente por trás da super marca britânica Paul Smith, ele diz que o excesso de cobiça por parte dos banqueiros trouxe as dificuldades financeiras pelas quais o mundo está passando. "The obsessive pursuit of status, wealth and power has done much to drag ambition's reputation into the mud. And nowhere has this been truer than in the banking industry, where ambition has curdled into greed so damagingly of late...". Sir Paul, cuidado com o que fala! A maioria dos seus ternos o senhor acha que vai pros armários de quem? Meninos de 16 anos que ainda dependem dos pais?

- a gente não vai mais fazer um post sobre Barbies, por isso elas agora virão sempre no newsroll. Aparentemente a Mattel atira pra todos os lados no mundo da moda, no intuito de tornar a Barbie o item de 2010 que os fashionistas tem que ter. Christian Louboutin criou Barbies no final de 2009, e elas se tornaram um verdadeiro collector's item. Foram todas vendidas no mesmo dia em que entraram nas lojas e, agora, são vendidas por centenas de dólares no Ebay. Mas, se você quiser uma, a Net-a-Porter recebeu um novo estoque, então corre! E se você quiser uma de graça, o site Fashionista tá dando uma... Não é a minha preferida da coleção, mas cavalo dado não se olha os dentes né?


nem ela resiste aos seus sapatos, Christian...