Eu sei, eu sei... estou atrasadíssima no bonde. Mas melhor que não postar nada né? Bom, achei melhor colocar um resumão das tendências observadas que simplesmente ficar falando dia a dia. É mais rápido e mais fácil pra mim, além de não ficar sendo repetitiva com mil e um *saias longas apareceram hoje*. Porque sim, minha gente, é muita repetição. E isso cansa né?
Serei mais rápida nas semanas de moda européias - Londres estará pronto no sábado e Milão no início da semana que vem, ok? - e colocarei assim que as semanas de moda terminarem. E farei os posts mais focados em fotos e mais voltados às palavras-chave que fui anotando ao ver as coleções. Assim fica mais simples, fácil e rápido para todos.
Vamos ao que interessa: o que foi visto nas passarelas da New York Fashion Week semana passada. Quando todo mundo fala em New York Fashion Week a primeira coisa que vem à cabeça é sempre *Marc Jacobs*. O desfile mais concorrido, as roupas mais copiadas, e os looks que mais giram o globo atráves de sites e blogs. Mas não é só de Marc que vive Nova York, e tem muita gente boa fazendo mais que bonito. Por isso o foco não foi em - bolinhas, bolinhas, bolinhas - e sim nos outros desfiles. Porque, né? Bolinhas estarão por aí amanhã em todos os lugares!
Claramente as macro-tendências vistas em New York giraram em torno das texturas e formas em contraposição às estampas. New York sempre tem essa pegada mais "minimalista" no que concerne estamparia mas, assim como no verão que passou, o foco principal realmente parece ser a estrutura das peças e a juxtaposição de tecidos diferentes, criando uma estética que estimula mais os sentidos. A utilização de uma única cor dos pés à cabeça (ou o ton sur ton) também mostra a preocupação com este lado estético. Quando foram utilizadas estampas, o destaque ficou para o xadrez e para as estampas gráficas, com estilo mais geométrico e abstrato. Porém, o destaque principal fica mesmo para as bainhas e golas - desde o verão estas cresceram e o ar é mais recatado. Saias longas e camisas fechadas até o último botão reinaram absolutas, trazendo até o aparecimento de golas rolê.
Palavras-chave: tricô, transparências, meias com sandálias/sapatos, renda, preto, cinza, azul, verde militar, vermelho/vinho, tecidos brilhosos, lurex, flanela, pêlos, gorros, winter whites, drapeados, barras assimétricas.
Pra quem não quer ficar só no Marc Jacobs (e na Marc by Marc também) e quer ver mais desfiles impecáveis, lindos e que fornecem muitas idéias para looks, recomendo os seguintes: Bill Blass, Band of Outsiders, Calvin Klein, Derek Lam, Doo.Ri, Erin Fetherston, J. Mendel, Jason Wu, Jill Stuart, Michael Kors e Yïgal Azrouel. Esses foram os meus preferidos - por diversos motivos - e destaco Erin Fetherston, que voltou às suas origens fazendo um desfile dos sonhos, e Jason Wu, que fez as melhores golinhas!
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Thursday, February 24, 2011
Resumo de tendências! New York Fashion Week a/w 2011-12
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Friday, February 11, 2011
os convites da New York Fashion Week
Como havia falado em um post anterior, os convites para desfiles aqui no Brasil raramente são "mirabolantes". Há exceções, claro; e também sei que, por motivos de contenção de custos, os convites são sempre um tema que acaba por perder investimento na hora do aperto. Mas fica aqui a dica pra quem quiser fazer convites mais diferentes, seja para desfiles ou para outro evento!
Os convites abaixo foram compartilhados pelo pessoal do Refinery 29 e são de desfiles dessa temporada de outono/inverno 2011-12 e também da temporada passada de primavera/verão 2011.
Os convites abaixo foram compartilhados pelo pessoal do Refinery 29 e são de desfiles dessa temporada de outono/inverno 2011-12 e também da temporada passada de primavera/verão 2011.
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Thursday, September 23, 2010
tendências da New York Fashion Week
Sim, Milão já começou e eu ainda estou em Nova York... Fazer o que. Acho que não existe uma temporada de fashion week que algo não aconteça e eu tenha que acompanhar tudo meio "nas coxas". Detesto isso. Pelo menos tô conseguindo colocar meus pensamentos em papel online.
Hoje o dia foi corrido então serei econômica nas palavras - mas acho que as montagens dizem tudo. Onde eu tiver que fazer um adendo, farei - combinados?
Deu pra ver - como sempre - que a passarela de Nova York é sempre a mais comedida e comercial. Devo dizer que é a que menos gosto (junto com Milão e seu excesso em todos os quesitos) mas teve muita coisa legal que merece uma menção, como os desfiles de:
E o bom de se morar no Brasil é ver essas coleções saindo e tentar já buscar o que tem para vender das coleções de primavera/verão que estão entrando nas prateleiras e fazer com que sua roupa dure não só uma estação! Recomendo muitíssimo a quem gosta mesmo de moda a se jogar, olhar todas as fotos (até dizer chega!) e tentar captar coisas que aparecem em diversos desfiles. Aí é bater perna no shopping e ver se acha algo similar. Eu, por outro lado, tô aqui vendo coleções de verão e me preparando pro frio que me espera... Tá vendo, nem tudo é mal no Brasil!
Hoje o dia foi corrido então serei econômica nas palavras - mas acho que as montagens dizem tudo. Onde eu tiver que fazer um adendo, farei - combinados?
A vibe anos 70 que todo mundo vem falando - e que não foi captada muito bem pelas anteninhas de Marc Jacobs para a sua coleção principal (mas captou perfeitamente na Marc by!) - é a do "dia-a-dia". Imagine a sua mãe - ou você mesma, se tiver mais de 50 anos - se vestindo para ir ao cinema, trabalhar, sair com os amigos pra tomar um chopp. Ela ia de micro short, plataforma e cabelo com permanente afro? Pois é... E eu curto muuuuuuito as roupas do dia-a-dia dos anos 70. Demais mesmo. Fiquei feliz em ver que ela tá pegando em tudo quanto é lugar.
Interessante que já havia alguns meses que eu vinha desejando uma calça igual a que Diane Keaton usava em Annie Hall. Pode parecer maluquice minha mas eu acho que o inconsciente coletivo modístico sempre joga umas tendêncinhas na nossa cabeça e, voilà, elas aparecem logo depois. Tenho que comentar sobre as pochetes e os cintos de corda com uma simples frase: POR FAVOR, NÃO.
Os que mais me impressionaram foram as franjas usadas como forma de drapeado, dando forma às roupas, os bordados intricados e os cortes em laser - a sua maioria imitando renda.
Claro, claro... tiveram outras cores sim. Mas as que eu mais precebi foram o amarelo, o laranja e o azul royal. Especialmente porque muitos designers usaram essa combinação de cores na sua cartela, o que não é lá uma coisa muito usual e me saltou aos olhos.
A impressão que me dá do brilho jateado é que parece que alguém veio com um colorjet com difusor e jogou em cima. Jenny Packham - apesar de sua coleção nem um pouco coesa e que não gostei muito - fez esses vestidos maravilhosos.
Deu pra ver - como sempre - que a passarela de Nova York é sempre a mais comedida e comercial. Devo dizer que é a que menos gosto (junto com Milão e seu excesso em todos os quesitos) mas teve muita coisa legal que merece uma menção, como os desfiles de:
- Marc by Marc Jacobs: comercial com uma pegada setentinha, delícia;
- Elie Tahari: baseada toda no dourado fosco, foi monocromática mas não foi monótona em nenhum momento;
- Alexandre Herchcovitch: costumo não gostar dele, mas amei a coleção tirando a parte dos pastéis - tava meio que fora do contexto do resto (e eu particularmente detesto pastéis);
- Dennis Basso: suas roupas bufantes e estruturadas foram milhões de vezes mais bonitas que qualquer Marchesa que aparece por aí (que, aliás, sempre aparece com os *mesmos* bufantes - um saco);
- 3.1 Phillip Lim: tem um motivo pra ele ser o queridinho das londrinas, é roupa clássica vista pelos olhos de um louco;
- Karen Walker: me surpreendeu, uma coleção coesa com peças super usáveis, elegantes e com um jeito moderno;
- Rachel Roy: esse é do meu gosto particular, metade do meu armário é digno de uma "Rachel Roy girl";
- Alice + Olivia: outra marca amada pelos londrinos e também pelos suecos. E pra onde os suecos vão, eu vou atrás. Tem um look "tough cookie" que eu amo;
- Suno: essa marca me surpreendeu com seus tecidos étnicos vindos do Quênia, trabalho de comércio justo e look de descoladas nova-iorquinas. Pode apostar que eles vão ser nome grande daqui a pouco;
- TSE: coleção feita por Jason Wu e dá pra ver sua cara em todas as peças. Se eu tivesse que definir, seria "roupa para as Obama filhas daqui a uns 5-10 anos".
E o bom de se morar no Brasil é ver essas coleções saindo e tentar já buscar o que tem para vender das coleções de primavera/verão que estão entrando nas prateleiras e fazer com que sua roupa dure não só uma estação! Recomendo muitíssimo a quem gosta mesmo de moda a se jogar, olhar todas as fotos (até dizer chega!) e tentar captar coisas que aparecem em diversos desfiles. Aí é bater perna no shopping e ver se acha algo similar. Eu, por outro lado, tô aqui vendo coleções de verão e me preparando pro frio que me espera... Tá vendo, nem tudo é mal no Brasil!
Wednesday, September 15, 2010
video: Marc Jacobs spring/summer 2011
(English below)
Todo mundo já sabe que Marc Jacobs desfilou sua coleção de primavera/verão 2011 na segunda à noite, então não vou entrar muito em detalhes, explicações, análises. Tá tudo por aí na internet... mas tenho que dar a minha humilde opinião. Eu sei que os anos 70 são uma grande influência nesse momento; ela é sutil, mas é uma influência. As calças estilo pantalona, as blusas com laços, as transparências, os tecidos fluidos... mas é tudo muito mais uma vibe Yves Saint Laurent/Annie Hall que Taxi Driver/Sonia Rykiel/Studio 54. E Jacobs resolveu apostar na segunda combinação ao invés da primeira.
Honestamente eu não sei dizer porque não gostei... mas não gostei não. Aliás, não gostei mesmo. Talvez eu ainda esteja esperando por algumas temporadas de minimalismo para me enjoar e querer algo mais colorido, ostentoso e, bom...., com cara "oficial" de anos 70. De toda forma dá pra ver que a coleção de Jacobs foi super comercial, ele pega um nicho de pessoas que não vão querer usar somente branco na próxima temporada - porque, Jesus, só dá branco nas passarelas - e essa vibe retrô anos 70 sempre tem um público-alvo. Muitos vestidos são usáveis do jeito que estão nas passarelas, as pantalonas definitivamente vão ser um sucesso de vendas e os shorts e blusas podem ser combinados com peças menos coloridas de outros designers. Ou seja: mais uma vez, Marc não dá ponto sem nó e faz o que tem que ser feito, uma coleção que voará das prateleiras.
Abaixo o vídeo com o desfile completo de Marc Jacobs (e para fotos, inclusive de detalhes, eu sugiro o The Cut):
Everyone already knows that Marc Jacobs runway show was on Monday night so I'm not going to go into details, analysis or major explanations. There's already enough of that around the internet. Instead i'm just gonna give my humble opinion about the show. I know the 70s influence has been here for a couple of seasons already - it's subtle but it's there, through the wide leg trousers, the billowing blouses, the transparencies, the fluid fabrics... but it's all been a Yves Saint Laurent/Annie Hall sort of deal instead of a Taxi Driver/Sonia Rykiel/Studio 54 one. And Jacobs decided to get his influence from the latter one.
Honestly I can't say I liked it. Inf fact I have to say I didn't like it at all. Maybe I still have a couple of seasons of minimalism on me to get anxious for something more colourful, flamboyant and, well...., clearly retro-70s inspired. But I can say that Jacobs' collection is definitely sellable. There are always people who love the 70s retro vibe and several pieces, when sold separately, can be worn with pieces from other designers to make the white-a-thon from the other catwalks more cheerful and summery. The wide-leg trousers will definitely be a sell-out and several of the dresses could be worn straight from the catwalk. So, all and all, Jacobs did what he does best: a collection that will fly off shelves. Congrats to him.
There's a video for the full runway show above!
P.S.: For full coverage of Marc Jacobs' runway - pics, details, front row pics and everything else - I suggest The Cut's coverage.
Todo mundo já sabe que Marc Jacobs desfilou sua coleção de primavera/verão 2011 na segunda à noite, então não vou entrar muito em detalhes, explicações, análises. Tá tudo por aí na internet... mas tenho que dar a minha humilde opinião. Eu sei que os anos 70 são uma grande influência nesse momento; ela é sutil, mas é uma influência. As calças estilo pantalona, as blusas com laços, as transparências, os tecidos fluidos... mas é tudo muito mais uma vibe Yves Saint Laurent/Annie Hall que Taxi Driver/Sonia Rykiel/Studio 54. E Jacobs resolveu apostar na segunda combinação ao invés da primeira.
Honestamente eu não sei dizer porque não gostei... mas não gostei não. Aliás, não gostei mesmo. Talvez eu ainda esteja esperando por algumas temporadas de minimalismo para me enjoar e querer algo mais colorido, ostentoso e, bom...., com cara "oficial" de anos 70. De toda forma dá pra ver que a coleção de Jacobs foi super comercial, ele pega um nicho de pessoas que não vão querer usar somente branco na próxima temporada - porque, Jesus, só dá branco nas passarelas - e essa vibe retrô anos 70 sempre tem um público-alvo. Muitos vestidos são usáveis do jeito que estão nas passarelas, as pantalonas definitivamente vão ser um sucesso de vendas e os shorts e blusas podem ser combinados com peças menos coloridas de outros designers. Ou seja: mais uma vez, Marc não dá ponto sem nó e faz o que tem que ser feito, uma coleção que voará das prateleiras.
Abaixo o vídeo com o desfile completo de Marc Jacobs (e para fotos, inclusive de detalhes, eu sugiro o The Cut):
Everyone already knows that Marc Jacobs runway show was on Monday night so I'm not going to go into details, analysis or major explanations. There's already enough of that around the internet. Instead i'm just gonna give my humble opinion about the show. I know the 70s influence has been here for a couple of seasons already - it's subtle but it's there, through the wide leg trousers, the billowing blouses, the transparencies, the fluid fabrics... but it's all been a Yves Saint Laurent/Annie Hall sort of deal instead of a Taxi Driver/Sonia Rykiel/Studio 54 one. And Jacobs decided to get his influence from the latter one.
Honestly I can't say I liked it. Inf fact I have to say I didn't like it at all. Maybe I still have a couple of seasons of minimalism on me to get anxious for something more colourful, flamboyant and, well...., clearly retro-70s inspired. But I can say that Jacobs' collection is definitely sellable. There are always people who love the 70s retro vibe and several pieces, when sold separately, can be worn with pieces from other designers to make the white-a-thon from the other catwalks more cheerful and summery. The wide-leg trousers will definitely be a sell-out and several of the dresses could be worn straight from the catwalk. So, all and all, Jacobs did what he does best: a collection that will fly off shelves. Congrats to him.
There's a video for the full runway show above!
P.S.: For full coverage of Marc Jacobs' runway - pics, details, front row pics and everything else - I suggest The Cut's coverage.
Tuesday, September 14, 2010
a volta triunfante de Tom Ford / Tom Ford's triumphant return
(English below)
Tom Ford não fazia uma coleção feminina desde 2004 - e tenho que deduzir que seu retorno foi muito bem pensado. O desfile de sua coleção de primavera/verão 2011 foi ultra-fechado, destinado somente a compradores e membros da mídia importantes. Aparentemente todos foram convidados por telefone, sem direito de levar assistentes e/ou acompanhantes, e deveriam assinar um contrato de confidencialidade acordando em não tirar fotos ou filmar a apresentação. O resultado foi um desfile íntimo (com menos de 100 pessoas na platéia!), com Tom chamando pelo nome cada modelo para entrar no salão de sua loja na Madison Avenue e explicando nos mínimos detalhes cada peça que criou.
Mas a estória não fica por aí - na realidade, ela só melhora. Suas modelos foram mulheres pelas quais Tom se sente inspirado, e desfilaram para o designer ninguém menos que Beyoncé, Julianne Moore, Rita Wilson (mulher de Tom Hanks), Rachel Feinstein (pintora), Daphne Guinness (socialite e colecionadora de couture), Julia Restoin-Roitfeld (filha de Carinne, a editora-chefe da Vogue Paris), Karen Elson (modelo, cantora e esposa de Jack White do White Stripes), Marisa Berenson (modelo e atriz), Lauren Hutton (modelo e atriz), Lisa Eisner (artista), Emmanuelle Seigner (atriz francesa), Farida Khelfa (atriz francesa), Lou Doillon (modelo e filha de Jane Birkin), assim como diversas super modelos de diversas eras como Joan Smalls, Liya Kebede, Amber Valletta, Daria Werbowy, Chanel Iman, Anja Rubik, Abbey Lee Kershaw, Freja Beha Erichsen e Stella Tennant. O queixo de quem estava presente desabava a cada nova mulher que entrava no salão.
A entrevista que Ford deu à WWD (acredito que seja somente para assinantes - há um extrato da entrevista aqui) explica as razões para todo esse "segredo" ao redor das roupas, além de como e porque Tom voltou à moda feminina. É uma entrevista fenomenal, com Ford dando uma explicação ótima, um pouco até óbvia e extremamente sensata para todo o "merchan": ele sente que as mulheres "normais" precisam voltar a se sentir especiais. Primeiro desenhou para mulheres de todos os tamanhos e idade - vide Beyoncé e Lauren Hutton na passarela - e não quer que suas roupas sejam divulgadas porque essas roupas só chegarão às lojas em janeiro. Parece estranha essa afirmação ao ouví-la, mas a explicação de Tom faz todo sentido: nesse período (do desfile às lojas) milhares de fotos são divulgadas na internet, cópias já são feitas por cadeias de fast fashion, diversas celebridades saem com as roupas em eventos e red carpets e o consumidor final fica com a sobra. Ele não tem mais emoção ao comprar, já está de saco cheio ao ver aquela roupa.
Achei o pensamento interessantíssmo e válido - e, claro, o furor por todo esse "segredo" cria um marketing fenomenal. Já existem diversos rumores pela blogosfera, além de fotos tiradas com celulares por editores de moda não tão éticos assim... O resultado final é que a volta de Tom Ford causou o barulho necessário e, definitivamente, pode ser considerada triunfante.
Tom Ford hasn't done a womenswear collection since 2004 - and it seems his return was very well thought out. His show was actually a very intimate affair, with just a handful of powerful buyers and media players and with a jaw-dropping line of "models". They were all women Ford considered influences in his collection, and present were Beyoncé, Julianne Moore, Rita Wilson, Rachel Feinstein, Daphne Guinness, Julia Restoin-Roitfeld, Karen Elson, Marisa Berenson, Lauren Hutton, Lisa Eisner, Emmanuelle Seigner, Farida Khelfa, Lou Doillon, as well as several super models like Joan Smalls, Liya Kebede, Amber Valletta, Daria Werbowy, Chanel Iman, Anja Rubik, Abbey Lee Kershaw, Freja Beha Erichsen and Stella Tennant.
Tom narrated his runway, talking in detail about each garnment and the collection as a whole, as people were trying to breathe and see if they were still alive. Ford's interview for WWD is superb and he explains why he wanted to make secrecy about his designs, why he chose to make a collection inspired in so many different women and how he decided to come back to womenswear. It's worth reading - a good extract can be found here if you don't subscribe to WWD.
Apart from all the secrecy, possible marketing stunt and a star-sttuded runway, there is one thing we can be sure of: Tom Ford's comeback is definitely triumphant.
Photo sources: Hanneli Mustaparta & Fashionista.
Tom Ford não fazia uma coleção feminina desde 2004 - e tenho que deduzir que seu retorno foi muito bem pensado. O desfile de sua coleção de primavera/verão 2011 foi ultra-fechado, destinado somente a compradores e membros da mídia importantes. Aparentemente todos foram convidados por telefone, sem direito de levar assistentes e/ou acompanhantes, e deveriam assinar um contrato de confidencialidade acordando em não tirar fotos ou filmar a apresentação. O resultado foi um desfile íntimo (com menos de 100 pessoas na platéia!), com Tom chamando pelo nome cada modelo para entrar no salão de sua loja na Madison Avenue e explicando nos mínimos detalhes cada peça que criou.
a porta da loja de Ford na Madison Av. - preparada para o desfile
Ford's store at Madison Av. - ready for the show
Mas a estória não fica por aí - na realidade, ela só melhora. Suas modelos foram mulheres pelas quais Tom se sente inspirado, e desfilaram para o designer ninguém menos que Beyoncé, Julianne Moore, Rita Wilson (mulher de Tom Hanks), Rachel Feinstein (pintora), Daphne Guinness (socialite e colecionadora de couture), Julia Restoin-Roitfeld (filha de Carinne, a editora-chefe da Vogue Paris), Karen Elson (modelo, cantora e esposa de Jack White do White Stripes), Marisa Berenson (modelo e atriz), Lauren Hutton (modelo e atriz), Lisa Eisner (artista), Emmanuelle Seigner (atriz francesa), Farida Khelfa (atriz francesa), Lou Doillon (modelo e filha de Jane Birkin), assim como diversas super modelos de diversas eras como Joan Smalls, Liya Kebede, Amber Valletta, Daria Werbowy, Chanel Iman, Anja Rubik, Abbey Lee Kershaw, Freja Beha Erichsen e Stella Tennant. O queixo de quem estava presente desabava a cada nova mulher que entrava no salão.
as "modelos" de Ford - uma das fotos vazadas
Ford's "models" - one of the leaked pictures
A entrevista que Ford deu à WWD (acredito que seja somente para assinantes - há um extrato da entrevista aqui) explica as razões para todo esse "segredo" ao redor das roupas, além de como e porque Tom voltou à moda feminina. É uma entrevista fenomenal, com Ford dando uma explicação ótima, um pouco até óbvia e extremamente sensata para todo o "merchan": ele sente que as mulheres "normais" precisam voltar a se sentir especiais. Primeiro desenhou para mulheres de todos os tamanhos e idade - vide Beyoncé e Lauren Hutton na passarela - e não quer que suas roupas sejam divulgadas porque essas roupas só chegarão às lojas em janeiro. Parece estranha essa afirmação ao ouví-la, mas a explicação de Tom faz todo sentido: nesse período (do desfile às lojas) milhares de fotos são divulgadas na internet, cópias já são feitas por cadeias de fast fashion, diversas celebridades saem com as roupas em eventos e red carpets e o consumidor final fica com a sobra. Ele não tem mais emoção ao comprar, já está de saco cheio ao ver aquela roupa.
Tom Ford: depois de anos fora do mercado, o retorno triunfante com a coleção masculina - ainda falta ver a feminina
Tom Ford: years away from fashion, he comes back with a triumphant return on menswear - now all we have to see is how will womenswear be
Achei o pensamento interessantíssmo e válido - e, claro, o furor por todo esse "segredo" cria um marketing fenomenal. Já existem diversos rumores pela blogosfera, além de fotos tiradas com celulares por editores de moda não tão éticos assim... O resultado final é que a volta de Tom Ford causou o barulho necessário e, definitivamente, pode ser considerada triunfante.
os porteiros do desfile de Tom Ford - não, eles não são modelos!!!
the ushers and doormen to Tom Ford's show - nope, they're not models!
Tom Ford hasn't done a womenswear collection since 2004 - and it seems his return was very well thought out. His show was actually a very intimate affair, with just a handful of powerful buyers and media players and with a jaw-dropping line of "models". They were all women Ford considered influences in his collection, and present were Beyoncé, Julianne Moore, Rita Wilson, Rachel Feinstein, Daphne Guinness, Julia Restoin-Roitfeld, Karen Elson, Marisa Berenson, Lauren Hutton, Lisa Eisner, Emmanuelle Seigner, Farida Khelfa, Lou Doillon, as well as several super models like Joan Smalls, Liya Kebede, Amber Valletta, Daria Werbowy, Chanel Iman, Anja Rubik, Abbey Lee Kershaw, Freja Beha Erichsen and Stella Tennant.
Tom Ford ao fundo e Daphne Guinness à frente: uma foto "ilegal" do show feita por um celular
Daphne Guinness with Tom Ford in the back: a illegal mobile phone image from the show
Tom narrated his runway, talking in detail about each garnment and the collection as a whole, as people were trying to breathe and see if they were still alive. Ford's interview for WWD is superb and he explains why he wanted to make secrecy about his designs, why he chose to make a collection inspired in so many different women and how he decided to come back to womenswear. It's worth reading - a good extract can be found here if you don't subscribe to WWD.
Beyoncé no desfile de Tom Ford: outra imagem "ilegal"
Beyoncé at Tom Ford's show: another "illegal" image
Apart from all the secrecy, possible marketing stunt and a star-sttuded runway, there is one thing we can be sure of: Tom Ford's comeback is definitely triumphant.
Derek Blasberg e Daria Werbowy antes de entrar no show
Derek Blasberg and Daria Werbowy before the show
Photo sources: Hanneli Mustaparta & Fashionista.
Sunday, September 12, 2010
Charlotte Ronson: Angela Chase inspired
(English below)
Alguém tinha que fincar a bandeira de que os anos 90 são a influência do momento... Primeiro foi o New York Times falando que Elaine Benes (personagem da série Seinfeld) é style icon; agora Charlotte Ronson dizendo que a inspiração para seu desfile foi Angela Chase, a ruivinha que Claire Danes interpretava na série "My so Called Life". Mais anos 90 impossível.
Someone had to raise the flag of the 90s... The New York Times was the first to mention the 90s by stating that Elaine Benes (character from Seinfeld) was a style icon for girls this past summer. And now Charlotte Ronson has said that the main inspiration for her collection was Angela Chase, the redhead girl Claire Danes interpreted in the series "My so Called Life". This just couldn't be more 90s.
Image source: WWD.
Alguém tinha que fincar a bandeira de que os anos 90 são a influência do momento... Primeiro foi o New York Times falando que Elaine Benes (personagem da série Seinfeld) é style icon; agora Charlotte Ronson dizendo que a inspiração para seu desfile foi Angela Chase, a ruivinha que Claire Danes interpretava na série "My so Called Life". Mais anos 90 impossível.
alguns dos looks da coleção de Ronson -
some of Ronson's looks from the catwalk
Someone had to raise the flag of the 90s... The New York Times was the first to mention the 90s by stating that Elaine Benes (character from Seinfeld) was a style icon for girls this past summer. And now Charlotte Ronson has said that the main inspiration for her collection was Angela Chase, the redhead girl Claire Danes interpreted in the series "My so Called Life". This just couldn't be more 90s.
Image source: WWD.
tendência: NY fashion week
(English below the collages as well)
This post is about some of the trends that could possibly the ones that will come out of the New York catwalks. It's been only three days of shows but some trends have already emerged... From what I've noticed we can mention the obvious minimalism and some elements of preppy chic (characteristics of the NY catwalks), an enormous amount of transparency, mix of prints and the usage of texture in various white fabrics. We can mention white, black, beiges, shades of blue, yellow and oranges as main colours and ethnic prints overshadowing floral ones. The silhouette is very fluid; although most of the emphasis is still on the waist, there is already a shift towards column and lower waist styles.
Ok, tenho que admitir que é super arriscado (suuuuuuupeeerrrr, devo adicionar) falar sobre tendências com somente 3 dias de New York Fashion Week - e somente os três primeiros dias de um longo e exaustivo mês onde coleções são desfiladas nas quatro cidades mais importantes da moda. Mas vendo inúmeras fotos de desfiles, showrooms e coleções apresentadas nesses dias que passaram já dá para perceber alguns detalhes em comum.
Nova York é conhecida como a cidade do "preppy chic" e do minimalismo - é só pensar nos nomes mais conhecidos (Donna Karan, Ralph Lauren, Diane von Fustenberg, Carolina Herrera, Jill Stuart...) que se percebe de onde vem essa "fama". E os designers fizeram jus à fama. O minimalismo estava presente em quase todas as coleções, realmente evocando a tendência da metade dos anos 90. Também se pode ver uma influência um pouco Courrèges/Mary Quant/anos 60 no estilo das roupas e acessórios. Apesar da maioria das silhuetas ainda terem a cintura marcada, muitos vestidos aparecem num estilo coluna ou com a cintura mais baixa. Vale ressaltar que a imensa maioria das peças leva tecidos bem fluidos.
Para fazer jus ao "preppy chic" a Band of Outsiders fez uma coleção impecável, usando a influência preppy para um resultado super inesperado. Adorei.
Além disso, dá pra ver que drapeados e assimetrias estão presentes em diversas coleções, assim como silhuetas bem simples. As cores se limitam a brancos, pretos, beges e cinzas, com toques em tons de azul, laranja, verde água e amarelo. Tecidos metalizados aparecem, especialmente como cobertura metalizada no branco, no prata e no verde.
Transparência é a palavra de ordem e praticamente todos os desfiles tiveram um look (ou quase todos) com efeitos de transparência. Dado que apareceu tanto nesses três dias, já aposto como tendência forte. O uso de tecidos que dão um efeito de transparência também devem ser mencionados - rendas, crochês, bordados e apliques apareceram em diversas coleções. As estampas, quando apareceram, tiveram uma influência essencialmente étnica. Os florais ficaram super restritos a poucos designers e peças (e com um quê de étnico), o que me impressionou bastante. A maior parte dos looks continha cores uniformes da cabeça aos pés ou mistura de estampas.
Agora o que mais me chamou a atenção foi o trabalho de texturas feito com os tecidos brancos - aliás, branco é o novo branco! Houve para todos os gostos: bordados, crochês, transparências, rendas, além de trabalhos nos próprios tecidos lindos de morrer. Devo dizer que tenho uma queda por roupas brancas - tive uma fase em que usava essencialmente branco para sair! - e ver essa profusão de brancos com texturas e formatos diferentes mais que me agradou.
No que concerne acessórios, pense minimalismo total: a maioria dos desfiles não teve muitas jóias nem bolsas. Os sapatos ficaram baseados em saltos anabela, muitos com amarrações e estampados.
Como disse, ainda é bem cedo pra estabelecer tendências certas para a temporada primavera/verão 2011 - mas já dá pra pegar uma essenciazinha... Ficarei de olho no resto da NYFW e falaremos a respeito dela no final dessa semana!
Como um PS mais "'sério" (por isso que não é um PS!), aconselho a todos a verem a coleção da Suno, marca que trabalha com comércio justo no Quênia. Pra mim as melhores peças até agora. Muitas estão superpostas umas nas outras, criando o efeito de mix de estampas, mas olhando as fotos com calma, dá pra ver que os tecidos são fenomenais, o corte das peças super bonito, com algo que surpreende e agrada.
P.S.: Agora, pro verdadeiro PS... Quem quiser ver o calendário completo dos desfiles - e saber quando o seu favorito já tiver fotos disponíveis por aí - é só checar a seção de moda da NY mag.
Imagens: WWD, Style.com & Style Bubble.
This post is about some of the trends that could possibly the ones that will come out of the New York catwalks. It's been only three days of shows but some trends have already emerged... From what I've noticed we can mention the obvious minimalism and some elements of preppy chic (characteristics of the NY catwalks), an enormous amount of transparency, mix of prints and the usage of texture in various white fabrics. We can mention white, black, beiges, shades of blue, yellow and oranges as main colours and ethnic prints overshadowing floral ones. The silhouette is very fluid; although most of the emphasis is still on the waist, there is already a shift towards column and lower waist styles.
Ok, tenho que admitir que é super arriscado (suuuuuuupeeerrrr, devo adicionar) falar sobre tendências com somente 3 dias de New York Fashion Week - e somente os três primeiros dias de um longo e exaustivo mês onde coleções são desfiladas nas quatro cidades mais importantes da moda. Mas vendo inúmeras fotos de desfiles, showrooms e coleções apresentadas nesses dias que passaram já dá para perceber alguns detalhes em comum.
Nova York é conhecida como a cidade do "preppy chic" e do minimalismo - é só pensar nos nomes mais conhecidos (Donna Karan, Ralph Lauren, Diane von Fustenberg, Carolina Herrera, Jill Stuart...) que se percebe de onde vem essa "fama". E os designers fizeram jus à fama. O minimalismo estava presente em quase todas as coleções, realmente evocando a tendência da metade dos anos 90. Também se pode ver uma influência um pouco Courrèges/Mary Quant/anos 60 no estilo das roupas e acessórios. Apesar da maioria das silhuetas ainda terem a cintura marcada, muitos vestidos aparecem num estilo coluna ou com a cintura mais baixa. Vale ressaltar que a imensa maioria das peças leva tecidos bem fluidos.
variations of minimalism: ladylike, relaxed, 60s and workwear
Para fazer jus ao "preppy chic" a Band of Outsiders fez uma coleção impecável, usando a influência preppy para um resultado super inesperado. Adorei.
Band of Outsiders' view of preppy chic
Além disso, dá pra ver que drapeados e assimetrias estão presentes em diversas coleções, assim como silhuetas bem simples. As cores se limitam a brancos, pretos, beges e cinzas, com toques em tons de azul, laranja, verde água e amarelo. Tecidos metalizados aparecem, especialmente como cobertura metalizada no branco, no prata e no verde.
some key colours: tones of blue, orange and yellow
metallic sheen on fabrics
Transparência é a palavra de ordem e praticamente todos os desfiles tiveram um look (ou quase todos) com efeitos de transparência. Dado que apareceu tanto nesses três dias, já aposto como tendência forte. O uso de tecidos que dão um efeito de transparência também devem ser mencionados - rendas, crochês, bordados e apliques apareceram em diversas coleções. As estampas, quando apareceram, tiveram uma influência essencialmente étnica. Os florais ficaram super restritos a poucos designers e peças (e com um quê de étnico), o que me impressionou bastante. A maior parte dos looks continha cores uniformes da cabeça aos pés ou mistura de estampas.
various forms of transparency - even though it was most seen on white, it was also used on coloured fabrics
prints: less floral blooms, more ethnic influences
Agora o que mais me chamou a atenção foi o trabalho de texturas feito com os tecidos brancos - aliás, branco é o novo branco! Houve para todos os gostos: bordados, crochês, transparências, rendas, além de trabalhos nos próprios tecidos lindos de morrer. Devo dizer que tenho uma queda por roupas brancas - tive uma fase em que usava essencialmente branco para sair! - e ver essa profusão de brancos com texturas e formatos diferentes mais que me agradou.
detailing on white fabrics: it's on every single catwalk!
the beauty of detailing on white fabric - creating texture
No que concerne acessórios, pense minimalismo total: a maioria dos desfiles não teve muitas jóias nem bolsas. Os sapatos ficaram baseados em saltos anabela, muitos com amarrações e estampados.
the shoes people have been talking about: Suno and Loeffler Randall collaboration
os sapatos da colaboração entre a Suno e Loeffler Randall
Como disse, ainda é bem cedo pra estabelecer tendências certas para a temporada primavera/verão 2011 - mas já dá pra pegar uma essenciazinha... Ficarei de olho no resto da NYFW e falaremos a respeito dela no final dessa semana!
some of my favourites - up to now!
Como um PS mais "'sério" (por isso que não é um PS!), aconselho a todos a verem a coleção da Suno, marca que trabalha com comércio justo no Quênia. Pra mim as melhores peças até agora. Muitas estão superpostas umas nas outras, criando o efeito de mix de estampas, mas olhando as fotos com calma, dá pra ver que os tecidos são fenomenais, o corte das peças super bonito, com algo que surpreende e agrada.
Suno's awesome prints - fabrics straight from Kenya
P.S.: Agora, pro verdadeiro PS... Quem quiser ver o calendário completo dos desfiles - e saber quando o seu favorito já tiver fotos disponíveis por aí - é só checar a seção de moda da NY mag.
Imagens: WWD, Style.com & Style Bubble.
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